5 de novembro de 2007

Cigarette

Ao dar sua primeira tragada, Adriana se sentiu completa. Lembrou-se da frase atribuída ao Mário Quintana: "Fumar é respirar simplesmente". Pra ela, o primeiro cigarro deu uma sensação de liberdade, embora não fosse.

Relacionaria, futuramente, o cigarro com as experiências de sua vida. O cheiro do "Lucky Strike" ao entrar no seu bar favorito, o sabor do "Marlboro Menthol" quando beijou aquele cara no banheiro ou a ansiedade ao abrir o pacote dos franceses "Shelton".
Ela achava admirável que tudo melhorasse numa tragada e ficava muito irritada quando alguém lhe dizia que ela estava viciada. Todos têm seus vícios, embora uns os demonstrem mais que outros.

Fumava porque achava charmoso e já estava acostumada. Uma vez confrontada sobre os cigarros, apenas disse: "Vamos morrer eventualmente; ao fumar eu sinto um pouco da vida saindo em cada tragada, ao mesmo tempo que a perco, pelo menos sinto que ela existe".

E não há como discordar de tal opinião, pois você também já deve ter feito (ou ainda faz) alguma bobagem enorme só pra sentir-se vivo.

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