28 de junho de 2008

eu me lembro

A Fê era a menina dos detalhes. Desde o acento circunflexo no seu apelido até o planejamento das viagens que nunca faria, inclusive nos pontos turísticos pelos quais nunca passaria.

Enquanto imaginava tirar uma foto ao lado da torre eiffel, começou a chover. Ela, sem guarda-chuva, não pensou "justo agora", ela pensou "olha aquele rapaz com um guarda-chuva".

Puxar papo nunca foi coisa que ela gostasse de fazer, mas no momento em que ela chegou do lado do rapaz e viu as gotículas no óculos dele, foi inevitável: precisava dizer algo. Primeiramente, sorriu. Foi assim que ela entrou na vida e debaixo do guarda-chuva dele.

Depois, disse algo como "Chuvinha inesperada, ein?". Pensou em como era patético puxar assuntos meteorológicos e como soava mais patética quando usava diminutivos. Calou-se.

Ele sentiu algo diferente por ela. Jamais ofereceu seu guarda-chuva para uma estranha antes. Ele acreditava, naquele momento, que não era o único a sentir aquilo.

Na verdade, a Fê, assim que o viu além das gotículas, achou ele simples demais. Tentou criar detalhes. Reclamou mentalmente com o destino. A situação era perfeita, mas o rapaz não era. Mesmo assim, beijou-o. Ela precisava de alguém e ele estava lá.

Momentos depois, ela deu um último olhar, saiu correndo e sumiu num beco qualquer. Ele ressentiu aquilo. Ela tinha gostado do momento, pois não tinha se aprofundado naquilo. Pela primeira vez, foi superficial. Ele não quis mais lembrar.

A chuva pode clarear mais, dependendo da situação. Ele finalmente percebera que só há uma coisa que nos faz perceber melhor tudo isso: Não eram mais gotículas, mas lágrimas.

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