23 de julho de 2009

sentido

"Preciso achar algum sentido", foi o que ele pensou enquanto caminhava pela rua pouco movimentada e ouvia Jimi Hendrix. Já passava das 22h e mesmo assim a vontade por uma Coca gelada falou mais alto. Sempre achou que o gosto da Coca em si era horrível; o que dava sede era lembrar da propaganda: gotas caindo da garrafa, a capitalista idéia de que problemas se resolveriam com um gole do líquido negro, o slogan "viva o que é bom" não saía da cabeça.

Entrou no primeiro boteco que encontrou, mas logo se arrependeu. Não era o ambiente desagradável, mas a idéia de compartilhar momentos medíocres da vida com estranhos que já tomaram doses generosas do Cuba Libre, mesmo drink que ele acabara de pedir. Poucas coisas o interessavam, mas naquele momento tudo se resumia a um gole de bebida. Desejou, nem que por um minuto, que todos os aspectos da sua vida também pudessem ser classificados desse jeito simples. Apenas as coisas como são. Sem sentimentos ocultos ou consequências das quais ele não tinha controle.

E, sem se dar conta, encontrou o sentido.

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